Moisés Gran Vino 2009

De bem perto de Valladolid, chega-nos este Moisés 09, da Heredad de Urueña, saído das mãos do grande Moisés Gamazo. Um monocasta de Tinta de Toro (Aragonez), de 15º de alcóol, que estagiou durante 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Foram producidas apenas 3200 garrafas numeradas e este vino foi conseguido com a preciosa ajuda de Michel Roland e François Lurton. De cor granada, revelou um nariz com muitos frutos do bosque bem maduros, madeira muito bem integrada, fumados, couro, chocolate, baunilha, grafite e pimenta. Robusto, aveludado, untuoso, de excelente acidez, encorpado, taninos sólidos e firmes, com um final sério, gordinho, prolongado e muito bem definido. O seu preço ronda os 25 euros e a minha classificação fixa-se nos 94 pontos.

Nunes Barata, Vinhos, SA


Eis-me aqui para vos falar dos vinhos Nunes Barata, um projecto vitivinícola com origem em Cabeção, alto Alentejo, zona com um distinto historial na produção de vinhos de grande qualidade. São quase 60 hectares de vinha (80% das castas são tintas, Baga e Tinto Cão incluídas), que dão origem a grandes vinhos, construídos e criados numa adega toda ela pensada para que também as pessoas com mobilidade reduzida a possam visitar. Ora após o assinalável sucesso na produção e comercialização da marca Grou, os irmãos Luís Miguel e José Manuel Nunes Barata, continuando a tradição familiar que já vem do início do séc. XIX, lançaram no mercado novos vinhos (brancos, tintos, rosés), para além do Reserva e ainda enorme Grou 09 Family Collection, um dos melhores 10 vinhos portugueses, com um preço a rondar os 80 euros e apenas 2000 garrafas produzidas, numeradas e assinadas ! E é para vos falar, estes dois últimos que aqui estou. 
 
Em primeiro lugar, o Nunes Barata Reserva Tinto de 2010, um vinho abaixo dos 10.5 euros, feito com as castas Syrah, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, que estagiou em barricas de carvalho francês durante 9 meses. De cor rubi intensa, destacam-se no nariz os poderosos aromas a frutos vermelhos, um toque de chocolate negro, baunilha e especiarias, gengibre e balsâmico. Depois é suave mas ao mesmo tempo austero na estrutura, sumarento, elegante e de taninos finos, firmes e redondos. Um vinho cheio de personalidade. A minha classificação fixa-se nos 92 pontos.
 
Depois para vos falar do enorme Grou Family Collection de 2009. Um vinho feito com 8 castas tintas (baga e tinto cão incluídas), que estagiou 18 meses em barrica e mais 18 em garrafa, de cor negro opaco mas com tons violeta, é um vinho poderoso e elegante a todos os níveis. No nariz, sobressaiem as notas a fruta escura confitada, ligeira torrefacção, algumas nozes e cera, especiarias e um balsâmico bem suave. Ora se no início da prova este vinhão escorrega tranquilo, a continuação impressiona a todos os níveis, com taninos quase como se se fossem derretendo, terminando depois em especiaria sempre com uma estrutura fina e delicada. Tem um final bem longo e todo ele cheio de classe. Seguramente um icon para dar baile a muitos que militam no top ten nacional. A minha classificação fixa-se nos 97 pontos. 

Quinta dos Grilos 2006


Feito a partir de uvas Touriga Nacional, Aragonês e Alfrocheiro, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês, apresenta cor rubi, algum vegetal, muita fruta madura (amora, ameixas e ginja), chocolate, um toque de balsâmico e alguma baunilha. Depois é robusto, redondo, concentrado, uma boa acidez e um final de boca bem agradável, em suma, uma boa opção para o dia a dia. O seu preço andará à volta dos 5 euros e a minha classificação fixa-se nos 91 pontos !

Mãos Branco 2010



  Este Mãos Branco 2010 é a imagem dos vinhos que 4 irmãos de Mesão Frio apresentaram pela primeira vez em 2011. Trata-se de um vinho grandioso, próximo da perfeição, delicado e subtil, fino, pleno de classe e mineralidade, bem gastronómico e redondo. Com aroma predominante a flores brancas e do pomar, leve casca de laranja, perfeitas notas cítricas e algum maracujá, este vinhão apresenta um equilíbrio notável entre a frescura das castas Gouveio (30%) e Rabigato (30%) e toda a complexidade do Viosinho (40%), que provêm de vinhas plantadas em solos xistosos muito pobres na região do Baixo-Corgo. Depois tem final bem fresco, intenso e cheio de carácter. O seu preço andará à volta dos 8 euros e a minha classificação fixa-se nos 97 pontos .


Tourónio Rosé 2012



Produzido pela Quinta de Tourais, este Rosé - Douro DOC, estagiou seis meses em inox com as borras finas, surpreende a todos os níveis, desde logo pelos seus 13,1 % de alcool ! Feito a partir de 80% Touriga Nacional; 10% Tinta roriz e 10% Touriga Franca, tem cor salmão claro e um aroma subtilmente poderoso ! Sobressaiem os frutos vermelhos, como o morango, a framboesa e a groselha, ligeiros lácteos, uma acidez harmoniosa e um pouco de vegetal seco. Depois na boca, tem uma excelente presença, um grande carácter, muita elegância e uma boa profundidade. O final é harmonioso e suave. O seu preço andará à volta dos 6 euros e a minha classificação fixa-se nos 91 pontos !

Casa da Capela Reserva 2008

Produzido pela Vinícola de Nelas S.A., este vinho apresenta cor granada escura e resulta de um lote de três castas (Touriga Nacional, Jaen e Tinta-Roriz). Sobressai o aroma intenso floral da Touriga, sendo equilibrado, tostado, perfumado, herbáceo e leve, com os frutos vermelhos sempre em primeiro plano. Depois é encorpado, sedoso, redondo e texturado, com taninos finos e firmes, por fim revela uma acidez perfeita que termina com uma boa intensidade, num final longo e distinto. O seu preço andará à volta dos 7 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos !

Solar dos Loendros Chardonnay 2012

No Solar dos Loendros, em pleno Marmeleiro, aldeia do concelho de Tomar, existem 37 hectares de vinhedos implantados em solos argilo-calcáreos onde são cultivadas as castas Malvasia, Fernão Pires e Chardonnay (brancas) e Castelão, Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon (tintas). Ora este Solar dos Loendros Chardonnay 2012 é um caso muito sério, no que aos brancos diz respeito ! Cor citrina elegante e alguma palha, com nuances esverdiadas. De aspecto límpido e brilhante, um nariz surpreendentemente floral, cheio de mineral e tropical, especialmente mel, papaia, manga e ananás. Algum amanteigado. Boca deveras impressionante, sedosa, macia, cheia e bem viva, carregando uma acidez citrina notável a prolongar o profundo final. Comprem o mais que puderem dos dois mil litros existentes que serão engarrafados nos próximos dias ! O seu preço andará à volta dos 4 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 94 pontos !

Quinta da Ponte Pedrinha Reserva 2005

A Quinta da Ponte Pedrinha, de Maria de Lourdes Mendes Oliva Nunes Osório, situa-se na Região do Dão, entre Seia e Gouveia, e está na posse da família desde o Séc. XVIII. Este reserva de 2005 é um vinho feito com Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen, com estágio de 4 meses em barricas de carvalho. De cor escura, surpreende na boca (bem macio, sedoso, algo roliço, encorpado e com excelente acidez) e no nariz (caruma, café, tabaco, pimenta preta, compota de maçã e ameixa preta). Depois tem um final ainda longo, apesar de denotar já algum "cansaço". O seu preço anda à volta dos 9 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos.

Different Red 2006

Eis um tinto luxuoso da Encosta do Sobral. O Different Red 2006, realizado com uvas de vinhas velhas, passou 14 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 em garrafa antes de sair para o mercado. Com uma excelente complexidade aromática (muitas bagas maduras e chocolate amargo), este Different Red tem um perfil austero, uns taninos sólidos, poderosos e cheios de elegância, é bem complexo, tem a madeira muito bom integrada e termina depois com um final intenso e super longo ! O seu preço anda à volta dos 30 euros à saída da adega e a minha classificação pessoal fixa-se nos 96 pontos.

Encosta do Sobral Selection 2011 - Branco

Eis o primeiro dos vinhos saído das mãos do eng.º Pedro Sereno, enólogo e viticultor, que tive a oportunidade de provar. Feito com Arinto, Malvasia e Fernão Pires, é um branco bem fresco e alegre, de cor aberta, com um aroma intenso e elegante a rosas e alguns citrinos, e ainda com boas notas de baunilha. O final é longo na acidez, sendo que estamos perante um vinho que denota uma grande aptidão gastronómica, principalmente para acompanhar um bom robalo escalado ! Em suma, um vinho bem interessante cujo preço anda à volta dos 5 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 89 pontos.

Quinta da Bacalhoa Cabernet Sauvignon 2007



Este Quinta da Bacalhoa Cabernet Sauvignon 2007 é um vinho vigoroso, polido e raçudo. De cor vermelha rubi cereja, no nariz revela aromas florais, fruta madura, bagas maceradas, alguma pimenta, grafite e baunilha. Na boca mostra taninos firmes, alguma boa adstringência, a par de muita gulosice. Tem depois um final longo e persistente. Um vinho bem gastronómico cujo preço anda à volta dos 17 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Ravasqueira Flavours Viognier

De cor evoluída com aroma a mel, compota (alperce, pêssego, marmelo), aliadas a leves notas de amêndoas torradas, flores de laranjeira e muito mineral. Muito equilibrado na boca, mostra carácter, com uma excelente acidez. Um vinho que não deixa ninguém indiferente. O seu preço anda à volta dos 20 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos. Outro dos vinhos provados e que ainda não está no mercado é o Monte da Ravasqueira Reserva 2011, resultado de um apurado trabalho de viticultura de precisão de Vasco Costa Santos e Pedro Pereira Gonçalves, e que vai dar que falar. É um vinho poderoso, com muita fruta preta, algum cacau e uma ligeira tosta. De taninos bem redondos e firmes, é um vinho encorpado e austero.

Herdade do Perdigão 20 anos



Caramba, que vinhão ! Um blend de Alicante Bouchet e Trincadeira, este tinto icon é resultado de uma vindima manual, que fermentou depois em balseiros de 5000 litros Seguin Moreau e estagiou no final em barricas 100% novas de carvalho francês durante 36 meses. É um vinho profundo, que impressiona desde o primeiro segundo, bem complexo, com um aroma intenso a chocolate amargo, com muita fruta madura, cereja, cacau, tosta e especiarias bem integradas. Generoso, estruturado e super concentrado na boca, tem depois uma surpreendente frescura, uns taninos gordos, uma acidez excelente e vigorosa. Tem uma longa vida pela frente e vai dar muito que falar ! Pena só existirem 1000 garrafas disponíveis no mercado ! O seu preço anda à volta dos 40 euros à saída da Adega e a minha classificação pessoal fixa-se nos 96 pontos.
A marca Casal Garcia é o peso pesado das vendas, mas os vinhos da Quinta da Aveleda querem continuar a evoluir. Daí ter aparecido recentemente o Aveleda Douro, oriundo das terras mais altas do Douro, como Alijó e Favaios, pronto para surpreender. Produzido com as castas tradicionais do Douro (Gouveio, Malvasia, Moscatel), cujas uvas são provenientes das encostas de maior altitude, este é um vinho elegante, marcado por notas tropicais, cítricas e algum floral, excelente para acompanhar pratos de marisco. Na boca revela-se com bons aromas, cremoso e agradável, mas falta contudo um pouco mais de acidez para refrescar e prolongar o final. O seu preço anda à volta dos 7 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Quinta de Sanjoanne Superior 2007

A Casa de Cello é uma empresa familiar que embora se dedique à exploração vitícola há cerca de quatro gerações, foi, nos anos 80 profissionalizada por João Pedro Araújo (hoje com a ajuda do enólogo Anselmo Mendes e da  técnica de viticultura, Patrícia de Magalhães) com objectivo de potenciar a expressão dos seus "terroirs" nos vinhos, que têm origem em duas quintas de regiões diferentes. A saber, a Quinta de Cello na região do Vinho Verde, actualmente com 14 ha de vinha com as castas Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Chardonnay, Malvasia Fina e Loureiro. As uvas desta quinta dão origem aos vinhos das marcar Leiras Mancas e Quinta de Sanjoanne. Depois temos a Quinta da Vegia na região do Dão, actualmente com 20 ha de vinha com as castas Aragonês, Touriga-Nacional e Trincadeira-Preta. As uvas desta quinta dão origem aos vinhos das marcas Quinta da Vegia. Todos os vinhos provados se revelaram excelentes e, no caso dos vinhos da Quinta de Cello, bem diferentes do vinho verde tradicional. Este Quinta de Sanjoanne Superior 2007, feito de Alvarinho e Malvasia Fina plantadas em solo granítico arenoso, é um vinho complexo, com notas de mel, toranja, limão e flor de laranjeira. Na boca é gordinho, poderoso, tem uma presença enorme, uma acidez brutalmente deliciosa. Depois tem um final longo onde sobressaí o mineral. Em suma é um branco imaculado feito com a chancela do Anselmo Mendes. O seu preço anda à volta dos 30 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 97 pontos.

Visita à Terra d´Alter

O projecto Terra d’Alter, nasce de uma parceria entre a Sociedade Agrícola das Antas, a Sociedade Agrícola do Monte Barrão, duas empresas com grande tradição agrícola na região de Portalegre e o enólogo australiano Peter Bright,a viver em Portugal desde 1982. A Terra d'Alter, utiliza uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora em alguns casos recorra a outros produtores do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas. O objectivo passa sempre por lançar no mercado vinhos alentejanos de excelente qualidade, sendo os mercados alvo, para alem de outros, a Europa e Estados Unidos. Começamos a visita com uma ida às vinhas e uma explicação do Peter Bright e depois fomos conhecer toda a adega e realizar uma prova vertical de cinco vinhos. Segui-se uma prova directamente das barricas antes do almoço gentilmente oferecido pelo produtor e realizado em plena adega. Eis os vinhos que mais gostei e as respectivas notas de prova: 

Terra d’Alter Reserva Branco de 2008

 Vencedor do prémio de melhor Vinho Branco Português no International Wine Challenge Trophy, este vinho é feito sobretudo de viognier (80%), sendo a parte restante arinto. No nariz revela muitos frutos tropicais, ananás, coco e pêssego, com algumas notas a baunilha. Na boca é um vinho poderoso, com grande volume, que se distingue pela sua boa acidez e frescura, revelando boa persistência no final. O seu preço anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos.

Terra d'Alter Reserva Tinto de 2009

 Medalha de ouro no Great International Wine Award MUNDUSvini 2010 e no Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados do mesmo ano, estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho americano, tem uma cor rubi profunda, um aroma intenso a fruta preta madura, revela um boa acidez, é volumoso, na boca é macio, tendo um final fresco, prolongado e suave com notas a chocolate e tosta. O seu preço anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 89 pontos.

Terra d´Alter Alicante Bouschet de 2008

De cor vermelha intensa com aromas doces, fruta preta, cacau e especiarias. Tem boca de excelente acidez, taninos firmes , bem presentes e redondos, muito bem feito e interessante. O final é cremoso, prolongado e persistente. O seu preço anda à volta dos 9 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Telhas de 2008

Vinho super interessante, elaborado com 95% de casta Syrah e os restantes 5 % de Viogner, provenientes da Herdade das Antas com um estágio de 18 meses em barricas de carvalho americano. De cor rubi profunda, aroma intenso a tosta, pimenta, groselha e um leve mentolado. Depois tem uma boa estrutura,  taninos suaves e termina bem fresco e longo. O seu preço anda à volta dos 18 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Outeiro de 2009

Eis o melhor de todos os vinhos provados. Elaborado a partir de uvas da casta Syrah e Petit Verdot, provenientes da Quinta da Boa Vista, o estágio em barrica foi encurtado para 14 meses. É um vinho de cor rubi opaca, com um aroma intenso a frutos silvestres, elegante, cheio de boa fruta, daqueles que não deixa de dar nas vistas por onde quer que passe. Tem um corpo volumoso, taninos firmes e finos, um final muito longo e bem persistente. O seu preço anda à volta dos 22 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

PS: O Peter Bright que aposte num estreme de Tinta Caiada ! ;)