Solar dos Loendros Chardonnay 2012

No Solar dos Loendros, em pleno Marmeleiro, aldeia do concelho de Tomar, existem 37 hectares de vinhedos implantados em solos argilo-calcáreos onde são cultivadas as castas Malvasia, Fernão Pires e Chardonnay (brancas) e Castelão, Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon (tintas). Ora este Solar dos Loendros Chardonnay 2012 é um caso muito sério, no que aos brancos diz respeito ! Cor citrina elegante e alguma palha, com nuances esverdiadas. De aspecto límpido e brilhante, um nariz surpreendentemente floral, cheio de mineral e tropical, especialmente mel, papaia, manga e ananás. Algum amanteigado. Boca deveras impressionante, sedosa, macia, cheia e bem viva, carregando uma acidez citrina notável a prolongar o profundo final. Comprem o mais que puderem dos dois mil litros existentes que serão engarrafados nos próximos dias ! O seu preço andará à volta dos 4 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 97 pontos !

Quinta da Ponte Pedrinha Reserva 2005

A Quinta da Ponte Pedrinha, de Maria de Lourdes Mendes Oliva Nunes Osório, situa-se na Região do Dão, entre Seia e Gouveia, e está na posse da família desde o Séc. XVIII. Este reserva de 2005 é um vinho feito com Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen, com estágio de 4 meses em barricas de carvalho. De cor escura, surpreende na boca (bem macio, sedoso, algo roliço, encorpado e com excelente acidez) e no nariz (caruma, café, tabaco, pimenta preta, compota de maçã e ameixa preta). Depois tem um final ainda longo, apesar de denotar já algum "cansaço". O seu preço anda à volta dos 9 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos.

Different Red 2006

Eis um tinto luxuoso da Encosta do Sobral. O Different Red 2006, realizado com uvas de vinhas velhas, passou 14 meses em barricas de carvalho francês e mais 12 em garrafa antes de sair para o mercado. Com uma excelente complexidade aromática (muitas bagas maduras e chocolate amargo), este Different Red tem um perfil austero, uns taninos sólidos, poderosos e cheios de elegância, é bem complexo, tem a madeira muito bom integrada e termina depois com um final intenso e super longo ! O seu preço anda à volta dos 30 euros à saída da adega e a minha classificação pessoal fixa-se nos 96 pontos.

Encosta do Sobral Selection 2011 - Branco

Eis o primeiro dos vinhos saído das mãos do eng.º Pedro Sereno, enólogo e viticultor, que tive a oportunidade de provar. Feito com Arinto, Malvasia e Fernão Pires, é um branco bem fresco e alegre, de cor aberta, com um aroma intenso e elegante a rosas e alguns citrinos, e ainda com boas notas de baunilha. O final é longo na acidez, sendo que estamos perante um vinho que denota uma grande aptidão gastronómica, principalmente para acompanhar um bom robalo escalado ! Em suma, um vinho bem interessante cujo preço anda à volta dos 5 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 89 pontos.

Quinta da Bacalhoa Cabernet Sauvignon 2007



Este Quinta da Bacalhoa Cabernet Sauvignon 2007 é um vinho vigoroso, polido e raçudo. De cor vermelha rubi cereja, no nariz revela aromas florais, fruta madura, bagas maceradas, alguma pimenta, grafite e baunilha. Na boca mostra taninos firmes, alguma boa adstringência, a par de muita gulosice. Tem depois um final longo e persistente. Um vinho bem gastronómico cujo preço anda à volta dos 17 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Ravasqueira Flavours Viognier

De cor evoluída com aroma a mel, compota (alperce, pêssego, marmelo), aliadas a leves notas de amêndoas torradas, flores de laranjeira e muito mineral. Muito equilibrado na boca, mostra carácter, com uma excelente acidez. Um vinho que não deixa ninguém indiferente. O seu preço anda à volta dos 20 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos. Outro dos vinhos provados e que ainda não está no mercado é o Monte da Ravasqueira Reserva 2011, resultado de um apurado trabalho de viticultura de precisão de Vasco Costa Santos e Pedro Pereira Gonçalves, e que vai dar que falar. É um vinho poderoso, com muita fruta preta, algum cacau e uma ligeira tosta. De taninos bem redondos e firmes, é um vinho encorpado e austero.

Herdade do Perdigão 20 anos



Caramba, que vinhão ! Um blend de Alicante Bouchet e Trincadeira, este tinto icon é resultado de uma vindima manual, que fermentou depois em balseiros de 5000 litros Seguin Moreau e estagiou no final em barricas 100% novas de carvalho francês durante 36 meses. É um vinho profundo, que impressiona desde o primeiro segundo, bem complexo, com um aroma intenso a chocolate amargo, com muita fruta madura, cereja, cacau, tosta e especiarias bem integradas. Generoso, estruturado e super concentrado na boca, tem depois uma surpreendente frescura, uns taninos gordos, uma acidez excelente e vigorosa. Tem uma longa vida pela frente e vai dar muito que falar ! Pena só existirem 1000 garrafas disponíveis no mercado ! O seu preço anda à volta dos 40 euros à saída da Adega e a minha classificação pessoal fixa-se nos 96 pontos.
A marca Casal Garcia é o peso pesado das vendas, mas os vinhos da Quinta da Aveleda querem continuar a evoluir. Daí ter aparecido recentemente o Aveleda Douro, oriundo das terras mais altas do Douro, como Alijó e Favaios, pronto para surpreender. Produzido com as castas tradicionais do Douro (Gouveio, Malvasia, Moscatel), cujas uvas são provenientes das encostas de maior altitude, este é um vinho elegante, marcado por notas tropicais, cítricas e algum floral, excelente para acompanhar pratos de marisco. Na boca revela-se com bons aromas, cremoso e agradável, mas falta contudo um pouco mais de acidez para refrescar e prolongar o final. O seu preço anda à volta dos 7 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Quinta de Sanjoanne Superior 2007

A Casa de Cello é uma empresa familiar que embora se dedique à exploração vitícola há cerca de quatro gerações, foi, nos anos 80 profissionalizada por João Pedro Araújo (hoje com a ajuda do enólogo Anselmo Mendes e da  técnica de viticultura, Patrícia de Magalhães) com objectivo de potenciar a expressão dos seus "terroirs" nos vinhos, que têm origem em duas quintas de regiões diferentes. A saber, a Quinta de Cello na região do Vinho Verde, actualmente com 14 ha de vinha com as castas Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Chardonnay, Malvasia Fina e Loureiro. As uvas desta quinta dão origem aos vinhos das marcar Leiras Mancas e Quinta de Sanjoanne. Depois temos a Quinta da Vegia na região do Dão, actualmente com 20 ha de vinha com as castas Aragonês, Touriga-Nacional e Trincadeira-Preta. As uvas desta quinta dão origem aos vinhos das marcas Quinta da Vegia. Todos os vinhos provados se revelaram excelentes e, no caso dos vinhos da Quinta de Cello, bem diferentes do vinho verde tradicional. Este Quinta de Sanjoanne Superior 2007, feito de Alvarinho e Malvasia Fina plantadas em solo granítico arenoso, é um vinho complexo, com notas de mel, toranja, limão e flor de laranjeira. Na boca é gordinho, poderoso, tem uma presença enorme, uma acidez brutalmente deliciosa. Depois tem um final longo onde sobressaí o mineral. Em suma é um branco imaculado feito com a chancela do Anselmo Mendes. O seu preço anda à volta dos 30 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 97 pontos.

Visita à Terra d´Alter

O projecto Terra d’Alter, nasce de uma parceria entre a Sociedade Agrícola das Antas, a Sociedade Agrícola do Monte Barrão, duas empresas com grande tradição agrícola na região de Portalegre e o enólogo australiano Peter Bright,a viver em Portugal desde 1982. A Terra d'Alter, utiliza uvas produzidas pelos seus sócios, na região de Alter do Chão e Fronteira, embora em alguns casos recorra a outros produtores do Alto Alentejo, conforme as suas necessidades específicas. O objectivo passa sempre por lançar no mercado vinhos alentejanos de excelente qualidade, sendo os mercados alvo, para alem de outros, a Europa e Estados Unidos. Começamos a visita com uma ida às vinhas e uma explicação do Peter Bright e depois fomos conhecer toda a adega e realizar uma prova vertical de cinco vinhos. Segui-se uma prova directamente das barricas antes do almoço gentilmente oferecido pelo produtor e realizado em plena adega. Eis os vinhos que mais gostei e as respectivas notas de prova: 

Terra d’Alter Reserva Branco de 2008

 Vencedor do prémio de melhor Vinho Branco Português no International Wine Challenge Trophy, este vinho é feito sobretudo de viognier (80%), sendo a parte restante arinto. No nariz revela muitos frutos tropicais, ananás, coco e pêssego, com algumas notas a baunilha. Na boca é um vinho poderoso, com grande volume, que se distingue pela sua boa acidez e frescura, revelando boa persistência no final. O seu preço anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 91 pontos.

Terra d'Alter Reserva Tinto de 2009

 Medalha de ouro no Great International Wine Award MUNDUSvini 2010 e no Concurso Nacional de Vinhos Engarrafados do mesmo ano, estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho americano, tem uma cor rubi profunda, um aroma intenso a fruta preta madura, revela um boa acidez, é volumoso, na boca é macio, tendo um final fresco, prolongado e suave com notas a chocolate e tosta. O seu preço anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 89 pontos.

Terra d´Alter Alicante Bouschet de 2008

De cor vermelha intensa com aromas doces, fruta preta, cacau e especiarias. Tem boca de excelente acidez, taninos firmes , bem presentes e redondos, muito bem feito e interessante. O final é cremoso, prolongado e persistente. O seu preço anda à volta dos 9 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 90 pontos.

Telhas de 2008

Vinho super interessante, elaborado com 95% de casta Syrah e os restantes 5 % de Viogner, provenientes da Herdade das Antas com um estágio de 18 meses em barricas de carvalho americano. De cor rubi profunda, aroma intenso a tosta, pimenta, groselha e um leve mentolado. Depois tem uma boa estrutura,  taninos suaves e termina bem fresco e longo. O seu preço anda à volta dos 18 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Outeiro de 2009

Eis o melhor de todos os vinhos provados. Elaborado a partir de uvas da casta Syrah e Petit Verdot, provenientes da Quinta da Boa Vista, o estágio em barrica foi encurtado para 14 meses. É um vinho de cor rubi opaca, com um aroma intenso a frutos silvestres, elegante, cheio de boa fruta, daqueles que não deixa de dar nas vistas por onde quer que passe. Tem um corpo volumoso, taninos firmes e finos, um final muito longo e bem persistente. O seu preço anda à volta dos 22 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

PS: O Peter Bright que aposte num estreme de Tinta Caiada ! ;)


Quinta dos Termos Reserva 2005

De cor rubi, com carácter, este tinto é produzido em plena Beira Interior com castas Syrah e Touriga Nacional. Depois tem um aroma austero com muita fruta preta, compotas e ameixas, taninos firmes e fortes, nota-se que ainda pode crescer em garrafa. A barrica está presente e bem integrada. É daqueles vinhos que chama mesmo por comida.O seu preço anda à volta dos 7 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 88 pontos.

Quinta do Pouchão 2010

Ora aqui está mais um belíssimo vinho de Tejo ! Saído das mãos da Sociedade Agrícola Ouro Vegetal, Lda, criada em 2004, tendo como objectivo a produção e comercialização de azeites de grande qualidade, este vinho é oriundo de vinhas velhas plantadas na região de Alferrarede, Abrantes e onde predominam as castas Castelão e Trincadeira, podendo ainda encontrar uvas Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. No copo a cor granada intensa encanta desde logo e no nariz sobressaem as notas complexas a frutas silvestres vermelhos e pretos, com presença na madeira onde estagiou, apresenta sabor persistente de aromas e especiarias, com uma madeira muito bem integrada. No paladar revela uma acidez firme, taninos finos, aveludados e redondos que lhe conferem um excelente equilíbrio e um longo e elegante final de boca.A este preço e com esta qualidade, comprem já todas as garrafas que conseguirem encontrar no mercado. O seu preço anda à volta dos 6 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Castello D'Alba Vinhas Velhas Códega de Larinho de 2009

Ora aqui está um grande vinho do produtor Vinhos do Douro Superior. Um vinho saído das mãos do enólogo Rui Roboredo Madeira, muito bem feito, 100 % de uvas Códega do Larinho provenientes de vinhas velhas plantadas a mais de 500 mts de altitude no Douro Superior e com "batonnage" em barricas usadas de Carvalho Francês. Apresenta uma cor amarelo citrino de tonalidade levemente esverdeada, no nariz destacam-se os aromas complexos de onde sobressaem os citrinos, os frutos tropicais e algum mineral. Na boca é um vinho eloquente, com grande volume, que se distingue pela sua boa acidez, amplitude e frescura, revelando grande persistência no final. O seu preço anda à volta dos 10 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 92 pontos.

Pinhal da Torre - IPO

 Eis um dos melhores vinhos lusos e por isso, até, um vinho algo difícil de descrever ! É um vinho distinto, elegante, imponente, encorpado, texturado, austero, estruturado, bem equilibrado na doçura e na acidez, com um final interminável. Fruta preta muito bem definida e integrada, notas tostadas e baunilha, resinas e minerais, com uns taninos notáveis de força, poder e elegância. O seu preço na loja anda à volta dos 120 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 98 pontos.

Quinta do Javali - Reserva de 2009

A Sociedade Agrícola Quinta do Javali é uma empresa familiar fundada em 2000 com o objectivo de produzir e comercializar os seus próprios vinhos DOC Douro e Porto.Este vinho fantástico, de cor vermelha intensa, de roma austero, com amplas notas de arbusto, frutos vermelhos macerados, compota, baunilha e especiarias. Na boca acentua-se o perfil de um Douro clássico, com taninos maduros e sólidos, cheio de caracter e vigoroso, com um final longo e persistente. De forma bem integrada, surgem as notas tostadas da barrica de grande qualidade, conferindo um carácter guloso, com aromas de brioche.A minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

Pinhal da Torre

No passado dia 19 de Novembro, uma vez mais a convite do produtor Paulo Saturnino Cunha, voltei a ter o prazer de fazer parte do grupo que visitou as instalações da Pinhal da Torre (que conta com a Quinta de São João de 22 hectares e a Quinta do Alqueve de mais 36)e onde se produzem vinhos desde 1947. Depois de uma visita guiada pelo próprio Paulo Saturnino Cunha começámos as provas, sempre com a ajuda do enólogo consultor, o australiano Russell Burns. No final da prova, deu-se início ao repasto gastronómico constituído por uma saboroso porco no espeto acompanhado pelos vinhos da Pinhal da Torre. De todos os vinhos provados (e foram muitos mesmo), destaco duas enormes surpresas de 2009. Em primeiro lugar o Quinta de São João - Syrah e o Special.

É um Syrah pujante este ! Mais um vinho enorme do Paulo Saturnino. Aroma cativante cheio de intensidade com caramelo, baunilha, canela, cereja, algum tabaco e elementos tostados a dissolverem-se por entre o fruto preto e as nuances florais. No palato é elegante e equilibrado, com taninos firmes, cheios de qualidade. Um vinho feito num "estilo australiano", muito guloso, com excelente na acidez, um final redondo e longo, onde tenho a certeza que com o passar dos anos em garrafa ainda irá melhorar. A minha classificação pessoal fixa-se nos 95 pontos.

Special: Que vinho dos deuses ! Feito de  Syrah, Touriga Nacional e Merlot, estamos perante um vinho único, cheio de qualidade, vigor, finesse, harmonia, elegância e frescura, muito bem estruturado. De cor rubi intenso com reflexos violáceos que chamam a atenção, este vinhão possui aromas intensos a frutas vermelhas, uma boca leve, muito frutada e macia.Sem sombra de qualquer dúvida, o segundo melhor vinho desta casa, depois do memorável IPO. A minha classificação pessoal fixa-se nos 97 pontos.

Quinta da Lapa Syrah + Touriga Nacional de 2009

Localizada na Região com Denominação de Origem “Tejo”, na zona do Bairro (solo argilo-calcário), estão plantadas as castas Periquita; Trincadeira Preta; Touriga Nacional; Merlot; Tinta Roriz; Syrah; Cabernet Sauvignon para vinhos tintos e as castas Arinto e Trincadeira das Pratas para vinhos brancos. O enólogo residente é o Engº Carlos Sardinha e teve a ajuda de Jaime Quendera. A Quinta da Lapa produz vinhos desde 1744 e actualmente  dá continuidade a essa produção através de processos modernos e inovados tecnologicamente. Este Bi-Varietal 2009 ganhou uma medalha de Prata no "Concours Mondial de Bruxelles" e é um vinho rubi com tons violáceos com aroma a frutos vermelhos maduros e ligeiras notas a especiarias, ameixa seca e chocolate. Depois é envolvente, cheio de corpo com taninos redondos e estrutura mediana. Alguma complexidade e persistência. O seu preço na loja anda à volta dos 8 euros e a minha classificação pessoal fixa-se nos 87 pontos.